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Tudo que fevereiro me ensinou.


Mesmo sabendo que não seria fácil, não posso deixar de dizer que foi um mês difícil, o melhor, complicado. Complicado, sim. Não é fácil sair totalmente da zona de conforto, logo pra mim, uma pessoa que odeia mudanças e embora goste de ir além, prefere se estagnar até ter a certeza de que tudo irá dar certo.
Minha rotina mudou e com ela, todo meu comportamento e humor. Foi um choque muito grande, meu relógio biológico não estava acostumado e pra piorar, o horário de verão acabou, mas aos poucos, ele foi pegando o ritmo e agora, parece que faço tudo o que faço a séculos.

Conheci tanta gente maravilhosa, principalmente de alguns dias para cá e fico me perguntando se eu estava cega e nunca as vi por aí enquanto andava ou se elas é quem estavam tão distantes de mim. Em contrapartida, cada vez percebo que tem mais gente ruim me cercando. Aprendi a deixar tudo o que me afeta de lado. Elas são pessoas negativas, invejosas, cheias de rancor e mágoas no coração e apesar de precisarem de ajuda, eu não tenho condições psicológicas e emocionais para aguentar tudo o que me dizem, eu iria desmoronar.

Me vejo tão forte. Esses dois últimos meses têm sido a realização de todas as mudanças que comecei em 2014 e a cada dia, recomeço uma nova vida. A Danielle de, sei lá, cinco anos atrás não reconheceria a Danielle de hoje. Mudei tanto e por incrível que pareça, não me perdi entre malas e caixas e bagunças e dúvidas e medo.

É incrível o quanto o amor transforma tudo em coisa boa, por onde ele passa. Toda forma de amor é válida porque o amor é o sentimento mais puro que eu conheço e quando machuca, já não é mais amor, pois o amor só cura. O amor não dói e cada dia eu me amo mais e percebo quanto tempo perdi me odiando. Não consigo encarar o espelho da forma que eu gostaria, ainda, mas tô quase lá.

Eu chorei, depois de anos, e me fez tão bem que chorei por tudo. Pela angústia, pelo medo, por não me sentir capaz e por sentir demais.

Março já chegou trazendo tudo o que eu mais queria, e isso me faz pensar que meu pai sempre esteve certo, quando queremos muito algo, esse algo se concretiza. Eu aprendi tantas coisas e isso me fez melhorar e querer me doar em tudo que eu faço, porque a vida é assim, só se dá pra quem se deu.

As coisas que janeiro me proporcionou.


Finalmente entramos em um novo mês, cada ano que passa, o tempo passa mais rápido. Cada dia é uma nova chance de recomeçar, cada mês uma chance de arrumar e cada ano uma chance de recordar.

Não esperava que janeiro trouxesse nada, afinal ele é um mero mês e não a vovó quando chega do supermercado. Mas ele veio. Veio e trouxe uma infinidade de coisas boas.

Percebi que desde que comecei a me amar e aceitar minha pessoa do jeitinho que ela é, muitas coisas mudaram. Reclamar e ficar parada não iria me dar o corpo que tanto desejei e hoje tenho. Reclamar e ficar parada não iria mudar todas as coisas que me incomodava. Foi preciso me arriscar, expor meu rosto ao tapa e esperar tudo sem expectativa, pra não me magoar caso tudo desse errado. Deu certo, tudo deu tão certo que o risco valeu a pena.

Conflitos foram resolvidos. Pedi perdão e fui perdoada. Me afastei de tanta gente e olha, saudade dá, mas dá e passa. Me reaproximei de tantas outras e mal consigo conter a felicidade que isso me dá.

Fiz viagens maravilhosas com minha família e pude reencontrar pessoas especiais que não via há um tempão. Fiz muitas coisas erradas e não me arrependi nada. Assim como fiz coisas boas e me sinto mal por não terem sido totalmente verdadeiras.

Sai do jazz, algo que era muito vital para mim. Em contrapartida, me matriculei no cursinho, algo que será super importante no meu crescimento pessoal e acadêmico. Aceitei. Me doei. Senti.

Comecei a levar o blog mais a sério, uma coisa que servia só para eu desabafar e escrever tudo o que guardava comigo (aliás, apaguei grande parte! Aqueles sentimentos não me pertencem mais) passou a ser algo que eu amo. Quero apenas preencher as lacunas do meu tempo. Mas é tão bom compartilhar as coisas que eu gosto e ver que outras pessoas gostam do mesmo que eu. Conquistei algumas seguidoras, que pode parecer um número pequeno, mas pra mim é gigante. Não tenho pretensão nenhuma. Não sonho em ser uma super blogueira. Não penso que ganharei dinheiro com isso ou que isso será meu meio de vida.

Cortei o cabelo, subi uma serra, caminhei durante a chuva, abracei sem entrar em pânico, disse para alguém que havia ficado chateada (acreditem, isso é muito pra mim), abandonei tudo que me prendia, ajudei quem precisava e também fui ajudada. Senti medo, acalmei quem também o sentiu.

Mudei alguns de meus conceitos e percebi que só perdi tempo enquanto torci meu nariz, não me arrependi. Fiz tantas coisas legais que jamais conseguiria explicar o quão grata sou acada pessoa que me ajudou durante esse processo.

Há coisas boas em todas as ruins, ninguém é cem por cento "real". A vida existe para quem quer viver  e o tempo não para pra ninguém se recuperar. A melhor coisa que janeiro me trouxe, foi a perspectiva.

Ah, as madrugadas.


Antes de ler, por favor leia aqui a primeira parte e segunda parte. Agora pode ler, mas lê escutando essa música. Obrigada.


As madrugadas sempre me deixam pensativo, principalmente me fazem pensar em você e olha só: hoje tá chovendo. Fazia tanto tempo que isso não acontecia, digo, chover em São Paulo. Eu sempre estou pensando em você

Você regressou à França e eu fiquei aqui, mais uma vez. Eu achei que dessa vez tudo seria diferente, cheguei a cogitar que tudo duraria por mais tempo do que qualquer humano pudesse calcular. Pensei que a partir do momento em que cravasse os pés em solos brasileiros tudo voltaria a ser como antes, continuaríamos do momento em que paramos. 

Não sei se você ficou sabendo, mas esses dias sua mãe me ligou. Me convidou para tomar um chá, mas você sabe, eu sempre preferi os cafés. Fomos àquele café que sempre te levava e você repetia inúmeras vezes que eu era o melhor namorado do mundo. Ela me disse que você estava ótima e eu sinceramente, preferia que ela não dissesse nada. 

Sabe quando estamos nadando e temos uma câimbra? O desespero invade e a única coisa em que conseguimos nos concentrar, é na dor. Foi assim que me senti, como um nadador enfrentando uma onda de azar.

São nesses momentos que percebo o quão falho sou, porque eu simplesmente não consigo ficar feliz por você, meu amor? Há tantas coisas que quero te dizer e tantos lugares mais que planejei te levar. Mas não deu tempo. Você se foi mais uma vez e desse vez, levou meu coração contigo.

Sua mãe me pediu, com toda a educação que possui, que eu te deixasse viver. Eu desabei. Tive vontade de mandar ela ir a merda, calar a boca e faltou pouco para eu jogar o resto do líquido preto que estava no meu copo bem na cara dela. Mas eu não o fiz. Como eu queria ser o Bukowski nessas horas, ele com certeza faria. Me levantei, coloquei o dinheiro na mesa e fugi. De mim e dos meus pensamentos melancólicos e enfurecidos.

Mas eu estou te libertando, aliás, fiz de você uma pessoa livre a partir do dia em que nos conhecemos.. Essa carta não é pra você, é pra mim e por isso não possui sequer a localização. Eu estou te esquecendo.

Deixei de pensar em nós, nos planos e desejos. Parei de lembrar dos seus olhos implorando por atenção, do resto de esmalte que você sempre deixava espalhado pelo chão da minha casa. Parei de ter banzo do cheiro que você deixava nos lençóis e das suas revistas jogadas no criado mudo. 

Estou deixando de te amar, mas é que cara, é foda nas madrugadas. 

Gratidão.

Verão, rede, sombra, brisa e dedos tortos.

Passar alguns dias na fazenda longe da internet, do celular e do convívio de qualquer pessoa que não integrasse minha família e, ao mesmo tempo, tendo companhia da vegetação, de pessoas queridas, animais, do ar puro, a visão de serras e do céu sem fumaça me fez refletir sobre diversas coisas.

Para algumas pessoas isso é chamado de férias, prefiro chamar esse momento de encontro com meu interior.

Descobri que passei a maior parte dos meus dezesseis anos de existência reclamando. Reclamando do calor, reclamando da escola, reclamando do meu corpo, reclamando do cotidiano, reclamando de lugares e situações, reclamando de pessoas, reclamando de barulho, reclamando da lentidão, reclamando de mim mesma. Eu me tornei uma idosa no corpo de uma adolescente.

Nunca me sentia satisfeita com nada e nas raras vezes que me sentia, era capaz de encontrar algo que me desagradasse, por menor que fosse esse algo. Nunca me contentei com o que estava à minha frente, eu queria sempre mais,

Poucas foram as vezes que parei para observar e valorizar os pequenos detalhes. Sabe aquela borboleta linda que pousa em seu ombro? Eu nunca fui capaz de olhá-la porquê estava ocupada demais pensando no pássaro que estava voando alto e no quanto queria tê-lo em minhas mãos.

Durante o tempo que eu me encontrava dentro de mim percebi que tenho mais razões para ser grata do que qualquer outra coisa no mundo.

Sou grata por tudo que meu pai fez e faz por mim, como: ser meu paitorista e sempre me levar e buscar nos lugares, ser meu paissagista e me auxiliar quando estou com dor, me proteger sempre quando brigam comigo, ter passado minha infância todinha ao meu lado, me proporcionar viagens legais ao seu lado, ser pai e amigo. Sou grata por ter um pai que me apoia em tudo, mesmo já tendo a certeza que no final nada dará certo.

Sou grata por integrar duas famílias que, apesar dos pesares, são incríveis e têm suas raízes cravadas na Europa e aqui, no Brasil. Por carregar comigo e em mim as sardas do vô Arthur, o cabelo castanho e liso (que agora é ruivo e modelado, porquê as pessoas mudam, né) da vó Luíza, o bocão e o nariz do papai e a falta de melanina da mamãe, a visão de piada em tudo do vô Auspicio e a mania de organizar tudo que é meu da vó Luzi. Por ter um nome de origem francesa, mas por falar português. Por amar comida japonesa, mas nunca dispensar o arroz (com sal e sem ser "unidos venceremos), por favor). Por amar música internacional, mas ter MPB como ritmo favorito.

Sou grata por não conseguir me apegar (talvez isso até venha a ser um defeito, quem é que sabe), por ter comigo todas as pessoas que queria ter, por conseguir ajudar o próximo sempre que me é possível e por ter em mim o desejo de adotar uma criança maiorzinha (de preferência um menino, pois são os menos procurados). Sou grata por enxergar um pouquinho de coisa boa sempre que o tempo tá fechando, por não conseguir preocupar os outros com meus problemas (talvez isso também venha a ser um defeito).

Em relação a ser focada e tentar não desistir antes de conseguir (embora eu fique entediada e abandone o quê estou fazendo pra fazer algo mais legal), também sou grata. Por ter tido a chance de escolher o que é melhor pra mim, também sou.

Sou grata quando percebem que estou desmoronando e permitem que eu me apoie em seus ombros, quando me faço de forte para fortalecer alguém e quando minhas palavras tornam o dia de alguém mais feliz, aliás, você já desejou que essa noite seja boa para alguém hoje?

Não sou grata à mãe natureza, ao destino, a algum ser superior ou coisa do tipo. Aliás, não acredito em nada disso (embora fale brincando coisas relacionadas entre amigos).

Sou grata a mim mesma. Se não fosse a Danielle de sei lá quantos anos atrás, talvez nada tivesse acontecido. Não consigo supor as situações que eu estaria vivendo, mas tenho certeza que elas não chegariam nem perto das oportunidades que tive.

Meu maior medo era não viver e ficar sempre perto da sombra da Existência, mas hoje posso dizer: sou grata por estar viva.

Liberte-se, menina.

  •  Esse é um post programado, no momento estou viajando.
  • Não sei ao certo a data do meu retorno.
  • Não consegui deixar muitos post's prontos,mas terá pelo menos um post novo toda semana.

(Foto: tumblr)

Por alguma razão que desconheço você criou uma barreira, barreira essa que não é invisível. Pelo contrário, é palpável.

Vamos desenterrar o passado e desamarrar a sacolinha das mágoas? O que te levou a isso?

Foi aquele não? Foi aquela despedida? Foi aquele dia que te oprimiram por você ser do jeitinho que é? Foi quando você ficou de frente com a verdade? Quando alguém disse que você não era boa o suficiente?

Tudo bem, eu sei lidar com o silêncio. Eu respeito teu direito de não querer falar. De qualquer forma, já passou e você deve olhar pra frente sem pensar nisso, aliás, desculpa. Sei o quanto remoer assuntos anteriores fazem sangrar, principalmente quando o corte está quase cicatrizado.

Eu já fui como você, menina. Eu já senti medo. Muito medo. Eu me sentia deslocada quando era colocada no convívio social, eu sentia pânico de qualquer tipo de afeto que ultrapasse o aperto de mãos. Sendo sincera contigo, eu ainda sinto. Sinto muito, mas sinto menos. Já chorei quando me abraçaram e tive vontade de gritar para que me soltassem, assim como você, menina.


Tive dificuldade em lidar quando estava sob pressão, simplesmente fugia da realidade e que se dane minhas obrigações. Isso também já aconteceu com você? Eu cheguei ao fundo do fosso e cavei mais um pouco, só pra ter certeza que haviam me derrotado.

Mas eu escalei. Ainda tô escalando, um centímetro por vez. Te convido: vem subir comigo?

Solte as amarras, não há nada que te prenda a partir de agora. Você é incrível e eu não permito que te convençam do contrário. A barreira tá caindo e você deu um sorrisinho ou eu tô ficando louca, menina? 

Se eles por caso quiserem te diminuir, cresça. Cresça e crie asas. Voe, menina. Você tem alma de pássaro, é incapaz de ficar parada no mesmo lugar por muito tempo então qual o por quê de ficar estagnada? 

O mundo é seu. Você precisa ser dele também, seja livre.

Distanciar.

  •  Esse é um post programado, no momento estou viajando.
  • Não sei ao certo a data do meu retorno.
  • Não consegui deixar muitos post's prontos, mas terá pelo menos um novo toda semana.

(Foto: we heart it)

Eu não senti vontade de chorar, mas fiquei triste.

Ainda não acredito que você vai partir, mais uma vez. Não contente em ter colocado mais de 700 km entre nós, o destino/cosmos/universo/mãe natureza/qualquer porra desse gênero se encaminhou de te mandar para outro país.

Tá uma confusão de ideias na minha cabeça, coisas do tipo: ele vai viver de macarrão instantâneo, se ele não tomar o remédio do coração vai ir pra CTI, ele pode ter dificuldade na adaptação, ele não é fluente no idioma, e o fuso horário?

Esses com certeza serão os seis anos mais longos da minha vida e eu deveria estar feliz por você, mas porquê eu não consigo?

Acho que estou sendo um pouco egoísta, não querendo me desprender de você e te libertar para conhecer o mundo. Pensando em quem eu vou chamar na tua ausência, se existe alguém tão babaca-cretino-meigo-pau no cu quanto você no mundo e se você vai encontrar outra melhor amiga e acabar me esquecendo.

Eu nunca consigo me apegar completamente às pessoas, mas eu tenho tanto medo de te perder. No fundo, no fundo, eu sou uma louca, insegura e neurótica que, tem medo de ser substituída. Minha lista de defeitos dobra a esquina e eu sei que têm muitas pessoas melhores que eu, e é isso que me assusta. Qual a razão de me ter por perto se há alguém muito melhor que eu?

Alguns dias após o natal, eu e sua mãe conversamos sobre tudo isso. Ela me deu detalhes sobre a viagem, o tramite para alugar um apartamento que fosse perto da universidade, o quanto a moeda de lá e desvalorizada e a grande vantagem que vocês tiveram. Me contou também sobre o susto que você deu. Escuta aqui, peste! Você que invente de esquecer de tomar o remédio que controla seus batimentos cardíacos pra ver se eu não despenco até sua nova atual moradia só pra dar na tua cara.

Você não entende, mas se eu te perco, eu perco tudo.

Eu confio em você, mais do que deveria, pra falar a verdade. Você é um irresponsável, mimadinho que não pensa nas consequências de nada, mas sabe defender, proteger e ajudar.

Já tô com saudade, acredita? O mundo é seu. Vai com tudo, mas vai de uma vez que é pra machucar um cadinho menos. Eu prometo que vou estar aqui pronta pra te abraçar quando cê voltar com o diploma em mãos. Mas cê promete que vai se cuidar?

Eu te amo. Eu te espero.

Para ler em 365 dias.

São Paulo, 31 de janeiro de 2014.

Querida Dan,

Mais um ano se passou e cá estamos nós, nem tão firmes e fortes, mas estamos. Esse ano nos trouxe tantas coisas maravilhosas, entre eles podemos citar: a chegada do Kauan, que é o neném mais gostoso desse universo e chegou para alegrar toda uma família; o afastamento de pessoas que em nada nos acrescentada, pelo contrário, apenas nos puxa para trás; ter começado a fazer aulas da Silvia ou do Júnior de jazz lhe trouxe amigas incríveis, do tipo "topa qualquer coisa" e que nos aceitam, loucas como somos; os convite para se apresentar na Liberdade (tá, nesse evento infelizmente não podemos ir), no musical da ordem que o Diego participa (nós que nem curtimos momentos religiosos gostamos do resultado então imagina os que gostam), no outro musical (que só acontecerá em março) e num dos Teatros mais bonitos e clássicos de São Paulo (a meta continua sendo o Municipal, quem sabe no próximo ano?); as viagens; as compras; a aproximação de pessoas que nunca imaginamos que um dia iríamos ter amizade; a quebra de mágoas e rancores; o aprendizado constante sobre expressar e não ficar com o nó na garganta; amizades virtuais que se tornaram reais.... E tantas outras coisas.

Amadurecemos, e como amadurecemos. Agora não tem mais melhor amigo para nos socorrer na hora do sufoco de entrega de trabalho, é nós e nós mesma, ralando na madrugada para dar tempo. Não tem mais irmã mais velha funcionária na escola, que de certa forma, nos ajudava muito. Não tem papai superprotetor que nos dava abrigo quando a vida nos chama pro fight. Muito menos mamãe para nos defender.... Por falar em mamãe, ela passou por uma tempestade imensa e por várias vezes presenciamos crises de choro, mas está quase tudo bem. Ver o papai fragilizado decorrente disso doeu, só você sabe como me doeu. Não nos contentamos com quases, você sabe, e por isso estamos fazendo o nosso possível pra ela ficar bem logo: ajudar com as coisas da casa, fazer massagem, elogiar, evitar brigas mesmo quando temos razões e fechar os ouvidos para os insultos (sim, eles continuam). 

Estudamos como condenadas e me canso só de pensar nas horas sentadas de frente para o notebook, debruçadas sobre os livros e escrevendo loucamente nas folhas de anotações. Mas compensou, muito conhecimento foi adquirido, muitas horas foram gastas de maneira útil. Entretanto, na escola não foi nada fácil.. Quando nos disseram que a 2ª série era a mais difícil, devia ter acreditado. Trabalhos, seminários, provas, atividades, exercícios, várias folhas de apostila - tudo para a mesma semana-. Os professores vomitaram conteúdo sobre nós, e nós limpamos. Pelo jeito não limpamos direito, foi um perrengue fechar o último bimestre, decorrente disso, recebemos pequenas punições.

Nossos hábitos mudaram. Nos tornamos um alguém mais saudável, fisica e mentalmente. Controlamos nossa alimentação. Controlamos nosso sentimento. Finalmente entramos no manequim 34, nossa, como ficamos felizes. Quase fizemos uma placa com os dizeres RÉLOOOU, EU USO 34, FINALMENTE. Corremos, fizemos abdominais, flexões, muitas horas de jazz, mais outras muitas de ballet. Por querer emagrecer? Sim. Por querer ficar com os músculos e massas firmes? Também. Mas principalmente por querer ser mais saudável, ter menos preguiça, mais vergonha na cara e entender que: se eu quero que algo mude, eu devo agir.

Atualmente, queremos cursar jornalismo na UERJ ou UFRJ ou ainda UFRRJ, mas sentimos nosso coração dar uma balançada em relação à biotecnologia. Me conte, o que decidimos, afinal? Mudamos de área? Outra área nos escolheu? Como nos sentimos estando a um mês da vida universitária?

Por falar em vida universitária, como está a vida agora que o Guigui foi morar no Paraguai? Saudade pra caralho ou saudade que já não cabe em Saturno?

Enfim... A Dan de 2014 deseja que a Dan de 2015 não desista mesmo que todos digam que ela não é capaz, que ela continue insistindo naquilo que a faz bem e que tudo que deu certo até aqui, continue dando.

Sem expectativas, sem metas (apenas passar no vestibular, por razões obvias né) e sem planos. Até aqui viemos juntas. Me despeço triste por ter que ir, mas feliz por ter feito o meu melhor para nós duas.

Mantenha-se firme.
Dan.



Valsando com o que machuca.



Você sente, sofre e se distrai. Afasta a dor pra longe do coração e do pensamento, mas afinal, isso adianta alguma coisa?

O tempo vai passando, pois a vida não para pro coração se recompor e o tempo continua a correr, devagar e sempre. Você conhece novas pessoas, novos lugares e novas sensações. Você se redescobre e descobre que no mundo há uma imensa gama de cores, sabores e amores.

Cada dia que passa, dói menos. Por um segundo, cogita pensar que a dor nem era tão real assim, que colocou intensidade demais onde nada deveria haver. Mas isso condiz com o que você realmente sente ou é uma forma de enganar a si mesmo sobre o que sente?

Até que um dia, como um estopim, a ferida abre e a dor escorre como fogo em brasa. Não dá para prever. Não dá para estancar. Não tem como ignorar.

Antes você sabia como agir, ainda sabe? É difícil porquê dói, esmaga e corrói. É difícil porquê não há como fazer parar de dor. Lembra-se da infância, quando você caiu da bicicleta e joelho ficou estourado?! Cada vez que o corte cicatrizava, você arrancava a casquinha e o sangue escorria de novo. Cicatrizava, você arrancava, sangrava. Cicatrizava, você arrancava, sangrava.

Não há ninguém para te entender ou te ajudar, as pessoas têm uma vida para tocar. Não há quem possa te ajudar, as pessoas têm problemas para serem solucionados. Não há nada que amenize o que você sente.

É preciso ser forte o bastante para permitir sentir e ao mesmo tempo não deixar que isso lhe consuma. É preciso ser fraco para admitir que nunca parou de doer, você só escondeu a dor num cantinho vazio e sombrio. É preciso ter coragem de deixar tudo para trás e viver como se isso não te afetasse. É necessário ser frio e não permitir que mexam na ferida, dia ou outro ela fecha sozinha.

Mas a dor.. Vez ou outra ela virá te visitar só para não permitir que você esqueça que ela está presente e que estará sempre contigo.

Ah, se Bizet te conhecesse...

Quando eu te reencontrei entendi o porquê de todas as coisas. Te encontrar ali naquele dia frio foi como voltar a ouvir e enxergar após longos anos em coma. Como se os anos não tivessem passado, eu ainda era eu, o mundo ainda era mundo e você continuasse sendo você.

Eu te procurei por tantos lugares, você nem faz noção do quanto. Custei a acreditar que tudo havia se perdido em alguma lacuna, mas que bom que desconfiei. Você esteva ali, escondidinho, esperando apenas por ser achado. 

E eu te encontrei. E eu me reencontrei.

Você está sendo meu pequeno raio de luz em meio ao caos de toda essa tempestade que vem me atingindo nos últimos meses. Quando você segura a minha mão sinto que nada pode me deter. Ao entrelaçar nossos dedos, percebo que juntos somos indestrutíveis.

Você fez com que eu acreditasse em ti. Fez com que eu acreditasse em mim.

Cada pedacinho meu tem um pouquinho de você. Pois é isso que aconteceu. Você me fez uma pessoa melhor, me tornou um alguém muito melhor. Preencheu cada uma das minhas lacunas e me transbordou. Fez com que eu enxergasse o lado bom das coisas até mesmo quando eles não parecem existir. Há uma única questão que não me traz respostas: se um dia você for embora, eu vou junto ou fico vazia?
Foto: Pinterest.

Quando seus olhos pequenos e certos se encontram com os meus, sou capaz de sentir toda a energia acumulada entre nós emanar pequenas faíscas. Essas faíscas que antes já tiraram meu sono, me desesperaram, torturaram... Ah, hoje eu só preciso que elas deem o ar de sua graça. 

As faíscas são a materialização de todas as borboletas serelepes que dançam valsinha no meu estômago toda vez que seu nome ecoa nos labirintos da minha mente.

Ao te abraçar e ouvir nosso pulsar em uníssono minha única vontade é não te soltar jamais. Se Bizet pudesse ouvir o mesmo som que ouço, nunca teria dado origem à Carmen.



Dar-te-ei meu amor, em todas as formas.

Estou aqui do seu lado, te observando enquanto você dorme sereno... E isso é tão estranho e fora no nosso normal. 

Não parece ser aquele cara que gosta de política, discute sobre a classificação do Brasileirão, conta até quinze - e não até dez - para se acalmar, sabe a tabuada inteirinha, odeia tudo que seja amarelo -e isso vai de babanas até roupa - e tem mania de espantar a coceira da renite com o dedo médio.

Seus pulmões se dilatam em cada segundo e sou capaz de enxergar sua caixa torácica se contrair, subindo e descendo tranquila e calmamente. Cadê aquele cara que é mais agitado que meu shake quando saio da academia? E, por falar em academia, seus músculos estão tão relaxados que cê nem parece o cara que treina quase todos os dias, é bom em tudo que é esporte e que suportaria ir andando às Pororocas só para dar uma surfadinha.

Agora te vendo quietinho, consigo contar os pontos de cor nas suas costas. Aqueles que você nunca vai admitir que são pintas e irá continuar teimando que são sardinhas. Sinto vontade de pegar uma caneta na gaveta da escrivaninha e traças linhas entre eles, será que formaria uma figura? Um abstrato?

Sua barba por fazer, seu nariz milimetricamente escupido, o furinho no seu queixo, seu rosto amassado e sua boca contraída num bico de birra infantil. Acho que nunca tinha percebido o quão harmônico teu rosto é. Narciso e Adônis te invejariam se te vissem assim, como eu te vejo, e disso eu tenho certeza.

Você dirige as mãos até o cabelo e um desespero me invade. Não acorde, por favor. Quero te contemplar só mais um pouquinho, eu preciso. Mas você logo a repousa no travesseiro e eu posso voltar ao meu trabalho.

Te vendo assim, lindo, fico imaginando os motivos pelos quais eu não iria me apaixonar por você. Poderia não ser apaixonada pelo seu mau humor matinal, pela sua mania de me irritar até eu perder as estribeiras, pelo cheiro insuportável da sua loção pós-barba, por você querer que eu adivinhe o que se passa nessa sua cabecinha confusa, pelas suas amigas insuportáveis, por seu complexo de superioridade, pelo seu silêncio ensurdecedor quando algo está te chateando ...

Mas eu te amo e amo por completo. Amo feliz, confuso, puto, cansado, irritante, romântico, impaciente, sarrista, sarcástico, irônico, carinhoso, grosso, safado, triste, ao meu lado, dormindo.

Geralmente me encanto e logo após desencanto. Não sei sentir por completo, me doar inteiramente e demonstrar, menos ainda. Mas você tem algo que me prende. Talvez seja seu abraço que é como minha morada nesse tempo invernal. Talvez seja sua pupila estonteante enquanto você fala comigo, ou simplesmente procuncia o meu nome, que me aprisiona em ti. A verdade é que eu realmente não sei o porquê. 

Fui encantada por você. Sou encantada pelas suas milhares de personalidades, seu abraço pacificador, sua fala mansa e timbre de voz grave. Pelo castanho dos seus olhos, seus braços que me abrigam, seu peito que me serve de travesseiro, seu cheiro de neném adulto. Pela cócega que sua barba causa ao se chocar com minha pele nua e por seus dedos, que se entrelaçam perfeitamente nos meus. 

Você acordou e eu sorri, grata por ter te encontrado entre tanta gente desinteressante.

"Assimila, dissimula, afronta, apronta."

Antes de começar, por favor, leia aqui para encontrar o nexo, obrigadinha.

Paris, 29 de junho de 2014.

Tão meu Honey

Tu me conheces tão bem, mas fazes de conta que não. Não consigo te compreender e pra falar a verdade, tudo que faz referencia a ti é incompreendível para mim, eu já deveria ter me acostumado.
Eu odeio ser pressionada e você sabe, então pra quê insistir em querer que eu queria o que não quero, sinta o que não sinto, precise do que não preciso, ir se já voltei, dizer se quero calar-me? Eu me irrito, surto e bato cartão no hospital, você se preocupa e se acomoda na poltrona ao lado da maca. Há mesmo a necessidade disso? Isso só faz mal para mim e para ti, amorzinho.
Saber que você ainda guarda todos os meus rabiscos fez com que eu me sentisse um pouquinho menos estúpida, bem pouquinho. Eu guardo comigo, naquela 'Caixinha de memórias boas da Tina' - aquela rosinha com laço dourado, recorda-te?- todos os ingressos de cinema, todos os papeis de bala, todas as cartas, o papelzinho com a amostra do teu perfume - sim, eu me vesti de 'Valentina cara de pau' e pedi na loja uma amostra do teu perfume, não ria da minha loucura -, fotos, nossa lista de planos e sonhos e tudo que me faz lembrar de você. Honey, eu materializei você ali, juntinho com todas as minhas lembranças de todos os meus anos vividos para te fazer mais perto, te fazer presente.
A tua inconstância torna-te uma pessoa única, fez eu querer me aproximar de ti e, ao mesmo tempo, me dá vontade de fugir na primeira oportunidade. Mas nunca vou embora de verdade, é sempre passageiro. Não vou porquê sei que de longe você me causaria saudades crônicas, não vou porquê sei que seu orgulho não iria deixar que você me impedisse de ir e o meu me impediria de voltar.. De voltar pros seus braços e abraços, de voltar para seu cafuné, sorriso, mãos inquietas e olhos lindos que me lembram a todo instante o real motivo de eu não partir. Consegue me compreender?
Um mês longe de você me fez crescer tanto profissionalmente, mas por dentro, sou a mesma pequena que tem mendo dos próprios demônios e preciso do teu aconchego e segurança para poder dormir tranquila. Não fales besteira, lhe peço! Paris sem você não sabe a definição da palavra brilho.
Sei que não sou lá a pessoa mais fácil de se conviver. Eu implico, enjoo, falo pouco, demonstro menos ainda, tenho pertubações mentais e sentimentais, carrego cicatrizes e traumas e pra completar o combo Guria Problema, mal sei lidar comigo mesma e espero que você consiga essa proeza.
Me entenda, me desvende, me explica, me indica, me preencha, me invada, ou se preferir, me ame. Apenas me ame, ou, tudo isso me ame. 

Aguentas mais um pouco, a passagem eu já comprei.
Son petit que te ama ainda mais.


Muro das lamentações.

Sempre amei ser o 'porto seguro' da amizade, ouvir os desabafos, dar conselhos -até mesmo quando não sabia o que fazer com minha própria vida- e ser a pessoa com quem todos podiam contar sempre, independente de tudo. 
Mas chega uma hora que cansa.
Os desabafos se transformam em dramas desnecessários.
As pessoas se acomodam e esperam que você mude a situação.
Esquecem que você tem uma vida e que precisa vive-la.
Acham que você vive em função deles.
Julgam ser de bom tom te obrigarem a fazer o que você não quer.
Sentem-se no direito de te cobrar por todo e qualquer motivo.
Chega uma hora que você fica saturada, irritada e estagnada perante a situação.

(Foto: tumbl)

Minha gente, chega!
Não suporto que me liguem três horas da manhã em total desespero apenas para dizer coisas do tipo "socorro, minha unha quebrou", "estou com medo de ir ao banheiro sozinha, tá escuro, socorro." Não me sinto na obrigação de contar os detalhes da minha vida pros meus amigos, eles são meus amigos, não a minha consciência. Não vejo necessidade em não tentar se ajudar sozinho, já ouviu falar em autoconhecimento? Não aguento que despejem todos os problemas do mundo nas minhas costas, odeio pesos desnecessários. Odeio tanto mimimi.
Ainda sou ouvidos e faço o possível para ajudar quem sei que necessita, mas minha vida não é muro das lamentações.
E se um dia fui porto seguro, hoje quero ser o iceberg.

365 dias sem Valentina.

São Paulo, 20 de maio de 2013. 



Mon petit, espero ainda poder lhe chamar assim. Não sei que horas essa falha carta chegará a ti, por isso, bon jour, bon après mindi, bonne nuit.
Há 365 dias atrás eu lhe tinha, de todas as maneiras possíveis. Há 365 dias atrás, minhas tardes de quarta-feira eram destinadas aos nossos filmes, os sábados ao nosso beijinho com granulado, as sextas ao cinema e nos outros dias, contra minha vontade, me contentava em ouvir sua voz por telefone.  Há 356 dias atrás, eu dedicava toda a minha respiração a ti, ao nosso amor e ao nossos planos para o futuro.
Percebi que adquiri uma espécie de amnesia, comecei esquecendo o nome das tuas avós e quando dei por mim, já não me lembrava mais do nome dos nossos filhos. Seria Emanuelle e Filipe, Catarina e André, Lucca e Nathália? Que seja, eles jamais chegarão a existir. Sou tão azarado que fui me esquecer justo das coisas que não me martirizaram. Ai se eu pudesse esquecer... do seu meio sorriso, da sua voz rouca ao acordar, do seu perfume de baunilha, do seu esmalte preto descascando e de todas as peculiaridades que lhe tornavam tão Valentina, tão única, tão minha.
Em trezentos e sessenta e cinco dias eu vivi guerras, uma por dia. Eu fui forçado a aprender a viver sem você, saber lidar com a vida sem cor e a matar meus próprios dragões. Aprendi que saudade não traz o perdão de ninguém, que pequenos erros causam grandes consequências e principalmente, que amor que é amor, não se acaba.
Encontrei, digo encontrei para não ficar tão na cara que esqueci de esconder de mim mesmo, apenas esclarecendo,  alguma de suas cartas e uma lágrima percorria meu rosto em cada palavra lida, na última você dizia que seguiria um novo ruma, me deixaria para trás, mas que me amava para sempre. Me diga que foi real, que ainda me ama. Me diga e eu esperarei por ti mais um dia, dois, mil, 10 anos. 
Os dias na França ficaram ainda mais lindos com sua presença, você iluminou o país mais que a própria Paris e aqui em São Paulo, tudo está tão cinza, tão gélido, tão mórbido. 

Com muito amor e saudade, 
 Sempre seu Honey.


Com o choro entalado.

Quando tinha uns sete ou oito anos, lembro de ter tido ('ter tido' existe, gente?) uma queimadura de segunda grau em todo o braço direito. Eu estava no meio de uma das minhas crises de bronquite e minha mãe deixou uma chaleira com eucalipto no quarto, para deixar o ambiente com um cheiro agradável, melhorar a umidade e coisas desse tipo. Eu estava brincando na cama com minha irmã e minha prima e eis que minha irmã faz um movimento bruco, me derrubando. Cai com o pé na chaleira, a puxando para baixo e fazendo com que todo o líquido de espalhasse pelo chão e deixasse meu corpo em brasa. Me lembro até da roupa que estava usando: blusa de moletom verde água e short preto. O primeiro lugar que aquele líquido fervente pegou foi meu braço. Eu senti uma dor absurda, mas me mantive calada. Minha irmã tentou me pegar, acabou queimando a mão e desistiu. Eu não conseguia reagir e levantar, até hoje, eu não sei reagir em momentos como este. Minha prima começou a gritar e meus pais atravessaram o corredor ao nosso encontro, minha mãe super brava por estar perdendo uma parte da novela e meu pai super bravo por ela ter gritado, ele é como eu e odeia barulho. Até que eles abriram a porta... E lá esta eu, deitada, queimando. Imediatamente papai me tirou de lá e minha mãe tirou meu moletom, me colocou uma blusa fresquinha e foi pegando um pano desses de amarrar chupeta limpo (me julguem, mas uso esses paninhos até hoje, é meu objeto transicional) e colocou sobre meu braço enquanto meu pai ia ligando o carro. Não lembro do trajeto, só sei que sentia muita dor e permanecia calada. No hospital, tomei algumas injeções e o motivo de ter tomado eu não me recordo. Me fizeram um curativo e eu fui liberada. Quando cheguei em casa, minha prima dormia e minha irmã chorava. COMO ASSIM? Eu perdi metade da pele (guardo a cicatriz da parte mais queimada até hoje, com o tempo ela foi igualando a cor da minha pele, mas ainda é existente) e ela que só queimou a mão com o vapor estar a chorar?
Os anos passaram. Nunca me queimei novamente, mas continuo com o mesmo hábito: entalar o choro. Eu nunca choro, eu não sei a razão. Tem algo no meu ser que bloqueia as lágrimas. Muitas vezes tô a ponto de explodir de dor de cabeça justamente por ter vontade de chorar, mas não sai nada, nadinha. O máximo que acontece é: meus olhos ficam marejados e logo em seguida, secam.
Perdi a conta das vezes que desejei chorar, para lavar a alma sabe? Como se as lágrimas fossem esvair todo o aperto que sentia no coração. Fracassei na missão em todas essas vezes.
Hoje, um pouco mais madura, entendo o motivo da minha irmã ter quase morrido de chorar no dia da minha queimadura. Cada pessoa sente a dor de um jeito. Eu sinto a minha escrevendo.
Talvez, eu chore palavras.


Só mais um cigarro, por favor.

Você se vê enfiado embaixo de cobertores, num quarto escuro, com uma única fonte de luz, e sua melhor companhia são seus pensamentos autodestrutivos. O celular ao lado no modo avião, porque estar só e oco é muito melhor do que estar acompanhado de gente vazia.
Do outro lado, há um caneca de matte e alguns cigarros. Tudo o que você, tecnicamente, precisa ao seu alcance.
O silêncio é tão mórbido que mesmo estando no terceiro andar, o som do relógio da cozinha ainda é audível e este som assemelha-se ao som de tiros, ecoando em seu cérebro e fazendo a habitual cefaleia a dar o ar da graça. Você respira fundo uma, duas, três vezes antes de dar mais um trago. Cigarro de cravo, o seu favorito. A fumaça e o cheiro se misturam à escuridão e o espaço antes vazio, se torna sufocante.
(Foto: tumblr)

Nos últimos meses esse tem sido seu estilo de vida. Uma vida baseada em cigarros, chá e isolamento. Não por gostar, mas por ser necessário.
Sentir-se avulso e estranho em seu próprio universo. Vivenciar a perda todos os dias.  Lidar com a falta de esperança, a angústia, o tormento, a dúvida e todos os outras sensações semelhantes.
A cama lhe parece um refúgio e, talvez, de fato seja. A verdade é que mesmo o abraço da sua mãe lhe transmite tanta segurança quando estar ali, deitado, inerte. Sair dela se torna mais difícil em cada amanhecer, mas você sabe que é necessário e não quer demonstrar ao mundo o quão destruído estás, eles não precisam saber disso.
Na televisão, um desses filmes de romance qualquer, do tipo que faz qualquer mulher chorar. Do tipo que te deixa ainda mais sem paciência. Do tipo que te faz rir, pois como homem, você sabe que nenhum homem age daquela maneira.
Devaneios.
Imerso em pensamentos.
Variações de estado lucido.
Um dia você estava bem, e no outro, embriago pelo estrago.
Não há nada pior do que perceber que dia após dia você se perde mais de si mesmo. Nem mesmo estar afundando-se na areia movediça seria uma analogia equivalente para descrever tamanha dor.

E assim se fez. Ou pelo menos, deveria ser feito.

Com a cabeça inclina em direção à janela e o sol no meu rosto, fecho os olhos. Sinto aquele reflexo laranja atravessar a pálpebra e me mantenho inerte, para todos os efeitos, estou dormindo, não me perturbem. Por favor! Os fones de ouvido estão tocando uma das músicas que mais tenho ouvido, de uma maneira estranha ela é capaz de acalmar meu ser físico e me conectar ao ser pensante.
Ah, o ser pensante.. Sempre ele. Mil reflexões agora se perdem em sua profundeza. Pensamentos obscuros, alguns estapafúrdios, outros acolhedores, uns são tanto quanto reveladores, mas a maioria.. A maioria são memórias.  
Sabe quando as lembranças são tão reais e você tem a sensação de estar revivendo cada uma delas? Quando as memórias são tão fortes e presentes que você chega a se perguntar se aquilo foi real ou se apenas idealizações/desejos/expectativas? Foi exatamente assim que me senti. Eu não conseguia distinguir a psicose da neurose, meu mundo estava girando numa órbita diferente, numa sincronia diferente. Não havia mais ninguém ali além de mim e de meu eu.
Aperto os olhos ainda mais forte, a luz solar parece ter ficado mais intensa. Ela aparenta estar ritmada aos meus pensamentos, quanto mais as memórias que eu tanto penei para que nunca viessem à tona se aproximavam, mais forte a luz ficava. 
Imagine uma canoa vagando por entre as pedras de um lago totalmente furioso. Eu era a canoa, totalmente sem direção, perdida. Você era o lago, que me invadia sem ao menos pedir permissão. As pedras, nesse caso, seriam todos os obstáculos e pessoas que existem entre nós. Sou indiferente em relação a ti, tua presença não me bagunça mais, mas puta que pariu, é você me dirigir novamente a palavra, alguém vir falar de ti, teu olhar se chocar com o meu.. e tudo volta. E eu, que já estava chegando ao ponto dez, volto para a estaca zero. Juro que queria saber a causa, o motivo, a razão disso tudo acontecer.
Somos o tipo de pessoa que jamais daria certo juntos, afinal, nem tentar foi o suficiente. Você é sentimento e eu sou a razão, você é alvorada e eu sou crepúsculo, você é tudo zen e eu eu vivo na correria. Sempre tive preguiça de coisas certinhas, mas contigo eu me agito. Você é a minha forma masculina e, ao mesmo, todo do avesso. Como disse, sou razão e entendo isso perfeitamente, mas o cérebro não. Ele falha, buga, dá erro e reinicia sempre do mesmo ponto, do ponto Você.
Explica pra ele que já deu/acabou/já era/sem chance, por favor, ele insiste em não me ouvir.

Memórias são precisas.

"Se eu não escrever eu esqueço e é importante ter memórias."

Já passou das seis da manhã e eu nem preguei os olhos, minha mente está funcionando numa velocidade incrível e o sono parece que não chegará tão cedo.
Ao som dessa música aqui faço uma viagem mental e penso em vocês, desculpa.
Onde aquela amizade linda foi parar? O que aconteceu com o "sempre estarei aqui"? Cadê os sorrisos, as brincadeiras, o carinho? Em que parte da minha vida vocês se perderam?
Eu sempre disse que quando os conheci, logo de cara, os odiei. E que, conforme o tempo passava, aprendi a nutrir um carinho e admiração enorme, por todos.
Cada dia eu aprendia um pouco com as palavras ditas, elas sempre me confortaram. 
Vocês pouco a pouco se tornaram o tipo de pessoa que eu mais desprezo no mundo. Cadê aquela galera que eu conheci? Vocês mudaram e desse novo "vocês" eu não gostei nenhum pouco.
Atitudes hipócritas, mentiras, apostas, gritos histéricos, agir igual aquelas pessoas que sempre odiamos, mentiras seguidas de mentiras. Dia após dias eu me senti perdendo vocês .. Eu já não os reconheço mais.
(Foto: tumblr)

Simplesmente não consigo mais me manter perto de vocês, porque isso me dá náuseas. Meu estômago se contorce toda vez que vocês usam palavras de baixo calão para dizer algo sobre determinado guri ou até mesmo guria. Todas as vezes que insultam alguém por pura elevação de ego.
Não sou a única que se sente assim, vocês estão perdendo as pessoas. Parabéns, não foi isso que vocês sempre quiseram? Se livrar de todos, não ter que conviver com ninguém. Olha, tomem aqui o prêmio. Façam bom proveito. E só para constar, acho que vocês não ficarão assim tão só. Têm uns aos outros para fazer companhia. 
Sinto falta daqueles que achei que poderia contar independente de tudo, sei que eles se perderam em algum momento da minha vida -não quero admitir, mas sei exatamente qual foi- e sinto que nunca voltarão. Mas... Cansei de correr atrás, de colocar reticências onde deveria haver um -somente um- ponto que indicasse o fim. Não me esforçarei, não os pedirei que voltem e tão pouco irei dizer adeus. Construam suas respectivas felicidades.
Ponto final.

A sinceridade virou um órgão do meu corpo.

Faz muitos dias que não penso em você, te contei? É, acho que no meio da minha busca desesperada por livrar meus pensamentos dos teus, acabei por realmente te esquecer. Isso deve ser considerado algo bom ou ruim?
Fará um ano que eu não converso contigo e olha, serei bem sincera, não sinto mais tanta falta como antes... Antes parecia que meu peito iria explodir em qualquer instante só por passar por alguma situação que me desse vontade de te contar. Quando eu vivia um fato constrangedor, era você a primeira pessoa a saber e rir da minha cara e eu senti muita falta de compartilhar esses momentos com você... Senti falta de saber como foi teu dia, ouvir as histórias loucas da tua família, rir das tuas brigas com sua irmã e chorar de rir pelo teu ciumes por ela. Deu para perceber o quanto a tua falta foi sentida por mim, né? Acredite, isso não foi nem um terço.
Tua presença na minha vida, acabou tornou-se como o sol. Não gosto, não suporto, me incomoda, me deixa irritada, me causa alergia e me faz ficar em qualquer estado.. Menos no padrão da minha normalidade.
Mas não era sobre isso que eu falava...
Dia desses, fiquei sabendo que você está namorando. Cara, parabéns, sejam felizes! E não, eu não estou sendo irônica. Estou sendo sincera como nunca antes, eu juro. Você, apesar de tudo, merece felicidade, alegria, sorrisos, merece viver! Faça dela uma guria extremamente feliz, preste atenção nos olhos dela, nas mãos inquietas, nos sorrisos estratégicos. Presta atenção no que ela não diz, convide-a para ir ao teatro, para ir no show de uma nova banda e até quem sabe, num jogo de futebol. Ouça com atenção tudo que ela tem para te dizer e nunca, jamais, em hipótese alguma, deixe dizer o quanto ela é especial para você... Vai por mim, se você fizer isso, ela será tua, em todos os sentidos. Mas caso você falhe, meu bem, você fará com que ela se sinta um lixo. Ela vai se culpar por um longo e bom tempo durante todos os dias, se sentirá extremamente substituível, falha, uma completa avulsa na tua vida... É sério, ouve a voz da experiência, aprenda com quem já esteve do outro lado, não cometa erros antigos com pessoas novas.
Algumas amigas vieram me contar que você queria se reaproximar de mim. Oh mundinho irônico, filho da puta e lazarento! No momento, a única coisa que consigo fazer é rir e repetir pra mim mesma o quão cômica a vida é. Há alguns meses atrás, essa era algo que eu queria com todas as forças que alguém pode querer algo. Há alguns meses atrás, se elas me dissessem isso, eu já estaria lá, do teu ladinho, fingindo que nada tinha acontecido. Há alguns meses atrás, pode ser que pura vaidade eu fizesse um doce e um bom drama, algo como "não vai dar, me desculpa, sinto muito, não tem mais jeito" e saísse da cena me sentindo deusa, musa, diva. Mas hoje, hahahahahah. Hoje isso não me afeta, não me faz pensar em mil probabilidades ou possibilidades, não influencia em nada no meu cotidiano. Tô no mesmo lugar, ainda não percebeu? Segui minha vida no mesmíssimo lugar, afinal, quem está incomodado é que se muda e nessa história, o incomodado foi você.. que se afastou, abriu suas asas e voou para terras distantes. Quem quiser falar comigo, que venha até mim. Foi-se o tempo que eu corria atrás, me matava, dava o rim e até o braço se preciso fosse. Foi-se o tempo que eu era a primeira a abrir mão do meu tão amado e companheiro de vida: orgulho!


Oh, sweet sixteen!

(Foto: we heart it)

Quinze anos nunca representaram nada para mim, quer dizer, quando a Bibi era viva nosso maior desejo era a minha festa, mas então ela partiu e esse desejo se perdeu em algum lugar do meu passado. Agora os dezesseis anos, oh, como eu o aguardei. Nunca quis festa, nunca quis nenhuma comemoração se quer. Queria apenas dizer "tenho dezesseis!", agora o motivo, risos, é tão bobinho, tão fútil, tão sem noção. Mas não deixa de ser um motivo.
Desde muito novinha sempre acompanhei seriados e filmes americanos, onde chegar aos dezesseis era motivo de muita felicidade. Independência, habilitação para dirigir, sair sem permissão e sem hora para voltar. Não, esse não é o meu motivo. Foi apenas uma introdução, ou uma encheção de linguiça, whatever.
Embora eu seja, para muitos, ainda uma criança, já passei por muitas coisas. Coisas essas que, não foram nada agradáveis e deixaram marcas permanentes em mim. Essas coisas criaram raízes na minha memória e creio eu que serão uma espécie de fantasminhas que terei que carregar comigo pro resto da vida. Porém, essas coisas me ensinaram a ser paciente, buscar o autoconhecimento, não colocar as pessoas em pedestais justamente por saber que elas não eram tudo o que eu esperava, me ensinaram a procurar meu limite, reconhecer minhas atitudes errantes, desconfiar até das certezas e o principal: é necessário sempre seguir em frente, mesmo que não saiba para onde está indo. No decorrer dos anos e por conta dessas coisas, coloquei em mente e em foco total apenas uma coisa "minha meta é existir aos dezesseis". 
Por muitas vezes cogitei a ideia de desistir, por muitas vezes estive prestes a realizar o ato. Por muitas e muitas vezes a vontade não me faltou. E pra ser sincera, a vontade ainda não me falta. Mas creio eu que, não posso desistir do único propósito da minha vida e é por isso que ainda tô aqui, em busca dos meus dezesseis.
Quem já assistiu ao filme 16 Desejos sabe que a personagem principal fez uma lista com seus maiores desejos para esse ano tão especial, e eu não farei diferente. Ai vão os meus 16 desejos.


Serei mais fiel aos meus pensamentos e não abrirem mão de minhas vontades para fazer outras pessoas felizes, como tantas vezes fiz.
  1. Não ousarei desistir de nenhuma das coisas que comecei. Por mais punk que esteja, farei o meu possível para chegar até o fim.
  2. Serei mais compreensiva com minha mãe.
  3. Serei mais prestativa com minha irmã, melhor amigo, pai.
  4. Pararei de dar tanta importância para os lazarentos que não merecem nada mais do que meu desprezo.
  5. Minha maior prioridade será minha vida, minhas coisas, meus sonhos, minha família, meu melhor amigo.
  6. Por falar em melhor amigo, com dezesseis anos, tentarei ser menos dependente dele.
  7. Me manterei longe de más pessoas, maus pensamentos, más vontades e más línguas.
  8. Me esforçarei ao máximo para alcançar meus objetivos acadêmicos.
  9. Evitarei gastar dinheiro com coisas mundanas e sem necessidade (exemplo: alimentar o vício de sapatos, esmaltes, etc).
  10. Evitarei me envolver em brigas religiosas, desde que não critiquem minha falta de credo e me julguem pelo mesmo.
  11. Conhecerei novas cores, novos sabores, novos sons.
  12. Farei do silêncio, ainda mais, minha melhor companhia.
  13. Não deixarei que meu peso oscile, sair dos 36 kg não é uma opção.
  14. Exercitarei minha paciência.
  15. Conseguirei realizar todos os itens até aqui citados.
  16. Com dezesseis anos, tentarei ao máximo, chegar aos dezessete.



De malas prontas...

(Foto: tumblr)
Eu me despedi de você mentalmente, fui covarde. Sou covarde. Te abraçar teria provocado um caos e eu não queria isso, teu corpo se choca com o meu e fere enquanto o meu é atraído de forma exagerada pelo teu. Nós não precisamos disso, não é mesmo? Eu aceitei e preciso superar que nosso amor é falho demais, impossível de acontecer, impossível de viver, então vamos seguir. Já dizia o "poeta", ser feliz até onde der.
Arrumei meu quarto hoje e não encontrei nada que me lembrasse você. Arrumei meu fichário e encontrei rabiscos aleatórios, não joguei fora e tampouco os rasguei. Eu não posso fingir que isso não aconteceu, de uma forma ou de outra, isso faz parte de mim. Constituiu um pedaço de quem eu sou, marcou meu emocional e me ensinou várias coisas. A principal delas eu já sabia, mas antes nunca foi necessário aprender: superar é diferente de esquecer.
Arrumei minhas tralhas e estou levando comigo somente o que julgo necessário. Nunca ouse perguntar quais são meus planos para o futuro, porque você não está incluso neles. Espero que lá tenha gente nova, cheiro de grama, tulipas e rastros de felicidade...para que eu possa finalmente a seguir.
Tô com o coração em paz, tô com a mente tranquila. Tô me sentindo leve, você se esvaiu de mim. Cada dia que passa têm menos coisas relacionadas à você impregnadas na minha alma.
Não vou ser hipócrita. Sempre estarei escrevendo sobre você ou de forma indireta, para você. Essa foi a forma que encontrei de te expulsar do meu ser, cada linha preenchida significa menos uma partícula de você perto de mim.
Tô tentando e me esforçando, vou conseguir. Lembra de todas as vezes que te disse "você me bagunça"? Pois é, meu bem, passou. Você não me bagunça mais.
Tô pronta para partir e tô pronta para me permitir... E dessa vez, tô indo sozinha.
Fui!