Antes de começar, por favor, leia aqui para encontrar o nexo, obrigadinha.
Paris, 29 de junho de 2014.
Tão meu Honey,
Tu me conheces tão bem, mas fazes de conta que não. Não consigo te compreender e pra falar a verdade, tudo que faz referencia a ti é incompreendível para mim, eu já deveria ter me acostumado.
Eu odeio ser pressionada e você sabe, então pra quê insistir em querer que eu queria o que não quero, sinta o que não sinto, precise do que não preciso, ir se já voltei, dizer se quero calar-me? Eu me irrito, surto e bato cartão no hospital, você se preocupa e se acomoda na poltrona ao lado da maca. Há mesmo a necessidade disso? Isso só faz mal para mim e para ti, amorzinho.
Saber que você ainda guarda todos os meus rabiscos fez com que eu me sentisse um pouquinho menos estúpida, bem pouquinho. Eu guardo comigo, naquela 'Caixinha de memórias boas da Tina' - aquela rosinha com laço dourado, recorda-te?- todos os ingressos de cinema, todos os papeis de bala, todas as cartas, o papelzinho com a amostra do teu perfume - sim, eu me vesti de 'Valentina cara de pau' e pedi na loja uma amostra do teu perfume, não ria da minha loucura -, fotos, nossa lista de planos e sonhos e tudo que me faz lembrar de você. Honey, eu materializei você ali, juntinho com todas as minhas lembranças de todos os meus anos vividos para te fazer mais perto, te fazer presente.
A tua inconstância torna-te uma pessoa única, fez eu querer me aproximar de ti e, ao mesmo tempo, me dá vontade de fugir na primeira oportunidade. Mas nunca vou embora de verdade, é sempre passageiro. Não vou porquê sei que de longe você me causaria saudades crônicas, não vou porquê sei que seu orgulho não iria deixar que você me impedisse de ir e o meu me impediria de voltar.. De voltar pros seus braços e abraços, de voltar para seu cafuné, sorriso, mãos inquietas e olhos lindos que me lembram a todo instante o real motivo de eu não partir. Consegue me compreender?
Um mês longe de você me fez crescer tanto profissionalmente, mas por dentro, sou a mesma pequena que tem mendo dos próprios demônios e preciso do teu aconchego e segurança para poder dormir tranquila. Não fales besteira, lhe peço! Paris sem você não sabe a definição da palavra brilho.
Sei que não sou lá a pessoa mais fácil de se conviver. Eu implico, enjoo, falo pouco, demonstro menos ainda, tenho pertubações mentais e sentimentais, carrego cicatrizes e traumas e pra completar o combo Guria Problema, mal sei lidar comigo mesma e espero que você consiga essa proeza.
Me entenda, me desvende, me explica, me indica, me preencha, me invada, ou se preferir, me ame. Apenas me ame, ou, tudo isso me ame.
Aguentas mais um pouco, a passagem eu já comprei.
Son petit que te ama ainda mais.
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