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São Paulo, 31 de janeiro de 2014.

Querida Dan,

Mais um ano se passou e cá estamos nós, nem tão firmes e fortes, mas estamos. Esse ano nos trouxe tantas coisas maravilhosas, entre eles podemos citar: a chegada do Kauan, que é o neném mais gostoso desse universo e chegou para alegrar toda uma família; o afastamento de pessoas que em nada nos acrescentada, pelo contrário, apenas nos puxa para trás; ter começado a fazer aulas da Silvia ou do Júnior de jazz lhe trouxe amigas incríveis, do tipo "topa qualquer coisa" e que nos aceitam, loucas como somos; os convite para se apresentar na Liberdade (tá, nesse evento infelizmente não podemos ir), no musical da ordem que o Diego participa (nós que nem curtimos momentos religiosos gostamos do resultado então imagina os que gostam), no outro musical (que só acontecerá em março) e num dos Teatros mais bonitos e clássicos de São Paulo (a meta continua sendo o Municipal, quem sabe no próximo ano?); as viagens; as compras; a aproximação de pessoas que nunca imaginamos que um dia iríamos ter amizade; a quebra de mágoas e rancores; o aprendizado constante sobre expressar e não ficar com o nó na garganta; amizades virtuais que se tornaram reais.... E tantas outras coisas.

Amadurecemos, e como amadurecemos. Agora não tem mais melhor amigo para nos socorrer na hora do sufoco de entrega de trabalho, é nós e nós mesma, ralando na madrugada para dar tempo. Não tem mais irmã mais velha funcionária na escola, que de certa forma, nos ajudava muito. Não tem papai superprotetor que nos dava abrigo quando a vida nos chama pro fight. Muito menos mamãe para nos defender.... Por falar em mamãe, ela passou por uma tempestade imensa e por várias vezes presenciamos crises de choro, mas está quase tudo bem. Ver o papai fragilizado decorrente disso doeu, só você sabe como me doeu. Não nos contentamos com quases, você sabe, e por isso estamos fazendo o nosso possível pra ela ficar bem logo: ajudar com as coisas da casa, fazer massagem, elogiar, evitar brigas mesmo quando temos razões e fechar os ouvidos para os insultos (sim, eles continuam). 

Estudamos como condenadas e me canso só de pensar nas horas sentadas de frente para o notebook, debruçadas sobre os livros e escrevendo loucamente nas folhas de anotações. Mas compensou, muito conhecimento foi adquirido, muitas horas foram gastas de maneira útil. Entretanto, na escola não foi nada fácil.. Quando nos disseram que a 2ª série era a mais difícil, devia ter acreditado. Trabalhos, seminários, provas, atividades, exercícios, várias folhas de apostila - tudo para a mesma semana-. Os professores vomitaram conteúdo sobre nós, e nós limpamos. Pelo jeito não limpamos direito, foi um perrengue fechar o último bimestre, decorrente disso, recebemos pequenas punições.

Nossos hábitos mudaram. Nos tornamos um alguém mais saudável, fisica e mentalmente. Controlamos nossa alimentação. Controlamos nosso sentimento. Finalmente entramos no manequim 34, nossa, como ficamos felizes. Quase fizemos uma placa com os dizeres RÉLOOOU, EU USO 34, FINALMENTE. Corremos, fizemos abdominais, flexões, muitas horas de jazz, mais outras muitas de ballet. Por querer emagrecer? Sim. Por querer ficar com os músculos e massas firmes? Também. Mas principalmente por querer ser mais saudável, ter menos preguiça, mais vergonha na cara e entender que: se eu quero que algo mude, eu devo agir.

Atualmente, queremos cursar jornalismo na UERJ ou UFRJ ou ainda UFRRJ, mas sentimos nosso coração dar uma balançada em relação à biotecnologia. Me conte, o que decidimos, afinal? Mudamos de área? Outra área nos escolheu? Como nos sentimos estando a um mês da vida universitária?

Por falar em vida universitária, como está a vida agora que o Guigui foi morar no Paraguai? Saudade pra caralho ou saudade que já não cabe em Saturno?

Enfim... A Dan de 2014 deseja que a Dan de 2015 não desista mesmo que todos digam que ela não é capaz, que ela continue insistindo naquilo que a faz bem e que tudo que deu certo até aqui, continue dando.

Sem expectativas, sem metas (apenas passar no vestibular, por razões obvias né) e sem planos. Até aqui viemos juntas. Me despeço triste por ter que ir, mas feliz por ter feito o meu melhor para nós duas.

Mantenha-se firme.
Dan.



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