Você sente, sofre e se distrai. Afasta a dor pra longe do coração e do pensamento, mas afinal, isso adianta alguma coisa?
O tempo vai passando, pois a vida não para pro coração se recompor e o tempo continua a correr, devagar e sempre. Você conhece novas pessoas, novos lugares e novas sensações. Você se redescobre e descobre que no mundo há uma imensa gama de cores, sabores e amores.
Cada dia que passa, dói menos. Por um segundo, cogita pensar que a dor nem era tão real assim, que colocou intensidade demais onde nada deveria haver. Mas isso condiz com o que você realmente sente ou é uma forma de enganar a si mesmo sobre o que sente?
Até que um dia, como um estopim, a ferida abre e a dor escorre como fogo em brasa. Não dá para prever. Não dá para estancar. Não tem como ignorar.
Antes você sabia como agir, ainda sabe? É difícil porquê dói, esmaga e corrói. É difícil porquê não há como fazer parar de dor. Lembra-se da infância, quando você caiu da bicicleta e joelho ficou estourado?! Cada vez que o corte cicatrizava, você arrancava a casquinha e o sangue escorria de novo. Cicatrizava, você arrancava, sangrava. Cicatrizava, você arrancava, sangrava.
Não há ninguém para te entender ou te ajudar, as pessoas têm uma vida para tocar. Não há quem possa te ajudar, as pessoas têm problemas para serem solucionados. Não há nada que amenize o que você sente.
É preciso ser forte o bastante para permitir sentir e ao mesmo tempo não deixar que isso lhe consuma. É preciso ser fraco para admitir que nunca parou de doer, você só escondeu a dor num cantinho vazio e sombrio. É preciso ter coragem de deixar tudo para trás e viver como se isso não te afetasse. É necessário ser frio e não permitir que mexam na ferida, dia ou outro ela fecha sozinha.
Mas a dor.. Vez ou outra ela virá te visitar só para não permitir que você esqueça que ela está presente e que estará sempre contigo.
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