Quando eu te reencontrei entendi o porquê de todas as coisas. Te encontrar ali naquele dia frio foi como voltar a ouvir e enxergar após longos anos em coma. Como se os anos não tivessem passado, eu ainda era eu, o mundo ainda era mundo e você continuasse sendo você.
Eu te procurei por tantos lugares, você nem faz noção do quanto. Custei a acreditar que tudo havia se perdido em alguma lacuna, mas que bom que desconfiei. Você esteva ali, escondidinho, esperando apenas por ser achado.
E eu te encontrei. E eu me reencontrei.
Você está sendo meu pequeno raio de luz em meio ao caos de toda essa tempestade que vem me atingindo nos últimos meses. Quando você segura a minha mão sinto que nada pode me deter. Ao entrelaçar nossos dedos, percebo que juntos somos indestrutíveis.
Você fez com que eu acreditasse em ti. Fez com que eu acreditasse em mim.
Cada pedacinho meu tem um pouquinho de você. Pois é isso que aconteceu. Você me fez uma pessoa melhor, me tornou um alguém muito melhor. Preencheu cada uma das minhas lacunas e me transbordou. Fez com que eu enxergasse o lado bom das coisas até mesmo quando eles não parecem existir. Há uma única questão que não me traz respostas: se um dia você for embora, eu vou junto ou fico vazia?
Quando seus olhos pequenos e certos se encontram com os meus, sou capaz de sentir toda a energia acumulada entre nós emanar pequenas faíscas. Essas faíscas que antes já tiraram meu sono, me desesperaram, torturaram... Ah, hoje eu só preciso que elas deem o ar de sua graça.
As faíscas são a materialização de todas as borboletas serelepes que dançam valsinha no meu estômago toda vez que seu nome ecoa nos labirintos da minha mente.
Ao te abraçar e ouvir nosso pulsar em uníssono minha única vontade é não te soltar jamais. Se Bizet pudesse ouvir o mesmo som que ouço, nunca teria dado origem à Carmen.

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