Estava indo para o curso, o dia estava chuvoso e eu cai em devaneio enquanto observava a água escorrer pela janela do carro. No rádio tocava nossa música e eu cantava baixinho, quase sem emitir som.
Você ainda se lembra de como tudo começou? Eu nunca me esqueci e pra falar a verdade, acho que nunca esquecerei.
Te conhecer a tantos anos atrás e te reencontrar de uma hora pra outra foi a pior peça que o destino já me pregou. Quem ele pensa quem é para te colocar novamente na minha vida?
Aos poucos fomos nos aproximando, cada vez mais, estávamos grudados. Em você eu encontrava paz, de alguma maneira estranha, você me transmitia paz. Isso era real ou apenas uma paranoia minha? Mentalmente te agradeci por cada piada tosca, porque na maioria das vezes, meu único riso do dia foi graças à elas. Nos dias frios você era meu agasalho, teu perfume impregnado na minha roupa, como eu amava isso.
Você dava cor aos meus dias cinzas, entende?! Quando eu estava contigo, eu me sentia bem. O abraço da despedida estilhaçava meu pequeno coração. Você me deu apoio quando ninguém era capaz de me ouvir e mesmo sem entender muito o que estava acontecendo, estava sempre ali, presente.
Todos em nossa volta notavam o que sentíamos, menos nós dois. Aquela velha história do "ela gosta dele, ele gosta dela, ambos não perceberam". Lembra quando perguntavam se nós dois éramos um casal? Como rimos disso! E quando ganhamos o apelido de casal de brancos, lembro que eu fiquei super irritada e você apenas ria. Na moralzinha, acho que eles apenas estavam nos alertando do que estava na nossa cara e não éramos capazes de perceber ou admitir, que seja.
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| (Foto: tumblr) |
De uma hora para outra, tudo mudou. Construímos um abismo entre nós. Entre esse abismo havia uma ponte feita com pedaços soltos de madeira, qualquer passo que um desse em direção ao outro faria tudo desmoronar. Foi aí que senti pela primeira vez a tua ausência. Foi aí que eu entendi que não existe eu sem você. Foi aí que eu percebi que você é aquele que eu sempre idealizei.
Quando conseguimos nos reaproximar, nada era como antes. Nos tornamos dois estranhos que se conheciam muito bem. Mas isso mudou, ainda bem. Quando nos beijamos pela primeira vez, reafirmei minha certeza, não existe eu sem você.
Mas como diz em um livro que li num outro dia de chuva, "até quando a sorte sorria pra mim, sorria com alguns dentes faltando", construímos o mesmo abismo de novo. E dessa vez, parece a reaproximação nunca irá existir.
Sabe qual é o pior de tudo isso? Eu perdi mais do que um namorado, perdi mais do que um amigo. Eu perdi o meu segundo eu.

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