A verdade nem sempre é tão linda quanto a sapatilha nova.

Encontro-me no mundo da dança (nisso posso incluir ballet clássico, contemporâneo e jazz) desde que minha mente é capaz de lembrar, parei por um tempo e não consegui ficar longe daquilo que me dá forças para prosseguir. Em todos esses anos já ouvi inúmeras coisas que não condizem com o real mundo da dança, por isso, tô aqui para desmentir essas "verdades" com base nas minhas experiências.

PÉ DE BAILARINA É FEIO?
(Foto: google)
Depende, isso varia de bailarina para bailarina. Muitas coisas influência, por exemplo: a carga horária de ensaios diários e semanais, o corte errado de unha, a falta de proteção, não usar sapatilha certa para o tipo de pé. Existem muitos (muitos mesmos, mas do que cês possam imaginar) tipos de sapatilhas de ponta e cada pé, requer um tipo específico, em algumas lojas há o teste para saber qual é o ideal. Usar esparadrapo e
 band aid ajudam e muito para os calor não ficarem em estado fuderosos horrível, a ponteira também ajuda, mas EU me sinto incomodada em usá-la. Ao usar sapatilha de ponta, você sustenta seu corpo na pontas dos pés (no meu caso, indicador e polegar), então ter o corte correto de unha é primordial! Unhas encravas são torturantes! De modo geral, o pé só vai ficar feio se não haver cuidado.


FLEXIBILIDADE É IMPORTANTE?
Cambré. (Foto: Blog Meia Ponta)
Grand jeté. (Foto: tumblr)
Para mim, a única coisa que importa é a vontade!! Um profissional de qualidade e com estudo vai sim forçar o aluno, mas jamais vai fazer com que ele tenha algum tipo de lesão. Eles forçam até o seu limite, até quando sentem que seus músculos são capazes. Mas gente, por favor, não adianta nada ele só colocar as mãos em ti e você já ficar reclamando de dor, suporte até onde não der mais e quando sentir que não vai mais aguentar, aguente mais um pouquinho. Com o tempo você se acostuma com a dor e ela se torna gostosinha e é nessa hora que você precisa superar seu limite mais uma vez. Muita gente não sabe é que flexibilidade  não está associada  somente às pernas, mas sim à coluna (em toda sua amplitude) e aos quadris. Ao fazer uma ponte ou um cambré [pronuncia-se cambrê], por exemplo, não tem nada de perna, sua sustentação está totalmente associada à coluna combinada com a respiração correta e alinhamento correto de quadris. Da mesma forma que, ao fazer um grand jeté [pronuncia-se granjetê], suas pernas serão suas melhores amigas, combinadas com o posicionamento correto do quadril. Tudo está interligado, não há como ser flexível somente com as pernas, ou só com a coluna ou quadril. É como um lego, onde tudo se encaixa.


TEM IDADE PARA COMEÇAR?
Grand écart. (Foto: tumblr)
Não, nunca, jamais! Nunca é tarde para começar a dançar! Conheço gente que começou após os quinze, assim como gente que já nasceu no baby class, risos. Geralmente, as turmas são separadas de acordo com a faixa etária e níveis dos alunos, mas onde eu faço jazz, as turmas são bem misturadas e eu adoro isso, é legal o convívio com pessoas de diferentes idades. É claro que alguém que começou a dançar com sei lá, quatro anos, muito provavelmente será uma pessoa "rasgada" se comparado com uma pessoa que tem uns trinta anos e começou a fazer aulas recentemente. Quando mais cedo se começa, mais rápido os músculos se "acostumam". Porém, com dedicação, esforço e sabendo vencer o limite da dor (com o orientação e supervisão de um profissional, óbvio) é possível zerar um grand écart [pronuncia-se grandecár/grandecá]. Sejamos sinceros, não há nada mais lindo do que conseguir identificar pessoas de idade diferentes no palco, pelo menos para mim, é a sensação que a dança nunca deixará de existir, que todas as gerações estão presentes e unidas por um único amor.

BALLET CLÁSSICO É SÓ PARA PESSOAS MAGRAS?
Polina Semionova. (Foto: tumblr)
Preciso nem responder né????? Claro que não! Por alguma razão que eu desconheço, as pessoas relacionam o ballet à magreza, mas não tem nada a ver, sério. Polina Semionova (minha musa) é magérrima, mas isso não significa que todas têm que ser também. Mais uma vez eu digo: a única coisa que importa é a vontade. Se o tipo físico estiver relacionado à saúde em termos de fôlego, o rítmo deve ser moderado, m
as fora isso, não influência em nadinha. Já ouvi de muitas garotas o "só não faço aula porque sou gordinha e tenho vergonha do meu corpo", gente, para com isso. O collant marca o corpo e existe sim preconceito idiota de garotas fúteis que excluem e dão risada das garotas que têm tipo físico diferente do delas, mas se isso te faz bem, manda um foda-se bem grande e tá tudo ok. Sinta-se bem e ame o que você faz, isso basta.

É PRECISO TER DINHEIRO?
Me digam, o que nesse mundo pode ser feito sem ter dinheiro? Pois é, nada, e com a dança não é diferente. Há gastos com sapatilha, uniforme, meia calça, grampos e elástico para cabelo, taxa de direito autoral da música, figurino, blá blá blá... Existem espaços públicos que oferecem aulas gratuitas, mas obviamente que o figurino da apresentação não irá cair do céu. O preço dos figurinos variam bastante, já encontrei de cem reais e também já vi uns que custam mais de mil. Nenhum professor vai lhe obrigar a estar presente no espetáculo usando figurinos lindíssimos.. Mas se você quer entrar nesse mundo esteja preparado, não é nada muito barato.

HÁ RIVALIDADE?
Depende.. Em escolas de danças (pelo menos nas que eu frequento) as turmas são extremamente unidas, é claro que sempre queremos o papel principal, mas não passamos por cima de outras pessoas por isso e ficamos felizes quando alguém do nosso agrado consegue. Porém em festivais e audições, se prepara! Não vai ter ninguém te oferecendo um help básico e nada do tipo. Ali é cada um por si! Vi uma matéria na Vogue (em 2012, se não me engano) que uma bailarina encontrou rebites (tachinhas) dentro da sapatilha, pasmem! A dica é: não espere que façam o mesmo por você




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